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E o ciclo da vida repete-se! As pacíficas vilas voltam a unir-se para combater um mal em comum. Vem conhecer o melhor e mais antigo role play de Naruto, totalmente em português.
 
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 [Filler] No Covil do Mistério

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Ozzymandias

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Nome: Hiroshi Daisuke
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MensagemAssunto: [Filler] No Covil do Mistério   Ter 19 Jul 2016 - 0:48

Estava quente. Era o que Kaneda sentia à medida que recobrava a consciência. Gemendo baixinho, ele ganhava a percepção de que estava deitado, mas não conseguia ter a mínima ideia de como ele chegara ali. Ali onde? Estou em casa? - Desejou com espasmos. Seu corpo tremia involuntariamente e a dor aos poucos começava a retornar aos ossos que tinha certeza que quebrara durante a luta. Sua boca amargava e numa careta percebeu seu rosto inchado e rijo. Instintivamente o jovem levou a mão direita na face e sentiu que por cima dos dolorosos hematomas existiam alguns curativos e esparadrapos que pareciam se estender por toda sua cabeça, encobrindo até mesmo seus olhos. Realmente parecia que estava todo quebrado e não se sentia bem. Náuseas e tonturas frequentes. Mas onde ele estava? Curioso, mesmo sem poder abrir os olhos por causa dos curativos, Kaneda gemeu mais uma vez para conseguir levar as duas mãos ao rosto e começar a tatear e puxar as faixas ensanguentadas até que teve êxito em abrir uma estreita fresta para que seus olhos pudessem reconhecer o lugar com sua visão precária, mas o que viu era desanimador: Estava numa espelunca. Num lugar desconhecido e suspeito.

A penumbra reinava naquele quarto sem janelas, iluminado apenas por uma vela. Enegrecida pela umidade ou pelo tempo, as tábuas das paredes estavam espaçadas e mal colocadas, deixando o vento frio da noite atravessar e atiçar a pequena chama que fazia as sombras dançarem a sua volta. Parecia que menino tinha acabado de acordar num cenário de filmes de horror. Estava deitado numa cama feita de madeira e palha, forrada apenas por um tecido encardido e manchado com seu sangue. Kaneda escutava o som da floresta do lado de fora. Grilos, corujas e alguns rugidos que ele não soube definir a quais animais pertenciam. Tudo era estranho. - Preciso sair daqui. - Inquietava-se, deslizando com dificuldade para fora da cama. Seus pés descalsos tocaram a madeira que rangeu por alguns segundos. O garoto fechou os olhos em reprovação e esperou por alguns segundos, mas quando não ouviu movimento na choupana, ele tomou coragem e se levantou na direção da porta entreaberta. Empurrando a madeira, as dobradiças enferrujadas rangeram, revelando o tenebroso lugar. Como o quarto, toda casa estava carcomida e as teias de aranha se acumulavam nos cantos mais escuros. Saindo do quarto Kaneda viu que no lado esquerdo existia uma espécie de cozinha. Uma mesa iluminada por três velas e dois banquinhos logo à frente de uma lareira onde um grande caldeirão borbulhava.

O fogo está aceso. Há mais alguém morando aqui. - Atestou o óbvio. Não querendo estar ali quando o dono do caldeirão retornar, Kaneda apressou o passo até a porta quando a madeira cedeu e rangeu sob seus pés descalços. Instintivamente o Uchiha fitou o que tropeçara, forçando seus olhos turvos para encontrar a lateral de um alçapão que se escondia debilmente sob um velho tapete desbotado de cor escura. Se aqui em cima é assustador, imagina lá embaixo. - Apavorou-se, sentindo um estranho frio na espinha. Já passara da hora de partir. Esquecendo os terrores que imaginava existir dentro do alçapão, o garoto terminou o percurso até a porta, mas quando encostou a sua mão na velha maçaneta, ele ouviu o temeroso ruído de movimento do lado de fora da velha casa. Kaneda tremeu. Agachando-se para tentar enxergar qualquer o que quer que fosse, o jovem míope não conseguiu propriamente visualizar nada além da escuridão. Contudo, o barulho do farfalhar das folhas e atrito com tecido se aproximava cada vez mais da choupana. Seu coração gelou. Parecia que seu temor tornara-se realidade: O proprietário retornava. Ofegante, Kaneda foi anestesiado pela adrenalina, fazendo-o esquecer das dores que sentia. Não queria retorna ao quarto sem janelas. Ali não teria como fugir.

Olhando rapidamente em volta, não conseguiu vislumbrar nenhum esconderijo nos escassos móveis da residência. Só lhe restava um lugar. Sua garganta estava seca e suas mãos enfaixadas não lhe permitiam fazer nenhum jutsu. O alçapão é o único local. - Concluiu, pois se desse sorte, existiria alguma janela ou respiradouro que usaria para rastejar até a liberdade. Apertando os olhos ao se agachar, Kaneda encontrou novamente a portinhola e a puxou tentando fazer menos barulho quanto possível. O tapete velho escorregou para o lado e o alçapão abriu, deixando sair um forte odor de mofo. Descendo os degraus com cuidado, ele fechou a pequena porta atrás de si e esperou. Nesse momento, a maçaneta foi acionada e a porta rangeu ao abrir. Com o coração disparado, Kaneda começou a tatear a escada para então descer até a escuridão enquanto olhava por entre as frestas das tábuas do assoalho. Lá em cima, fazendo alguma poeira se desprender, uma pessoa caminhava tranquilamente até o caldeirão que chiou ao receber um novo ingrediente em sua sopa misteriosa. Não demorou muito para que o cheiro do ensopado inundasse toda a cabana. O estômago de Kaneda traiu seu dono e roncou alto. Droga, que fome! - Reclamou em pensamento.

- Olá, meu jovem, o jantar está servido. - Cumprimentou a senhora, surpreendentemente às suas costas.
- Mas como... Como ela me encontrou? - Sussurrou sem se mover. Estava atônito e sem reação.

As luzes do porão enfim se acenderam para revelar onde se escondia. O lugar era estreito e quase sem espaço para dividir com três estantes cujas prateleiras estavam cheias de alguns potes de vidro cujos conteúdos ele não conseguia perceber. Contudo, por mais que quisesse manter-se distraído com o ambiente, não havia como escapar da imagem da senhora a sua frente, estacionada. A estranha era pálida como uma vela e tinha, no lugar dos olhos, uma faixa escura e desbotada que mal lhe escondia algumas cicatrizes esbranquiçadas com o tempo. Ela é cega. Seus cabelos brancos estavam amarrados com um arame, deixando suas orelhas marcadas com algum tipo de inscrição à mostra. Assustado, Kaneda tentou gritar mas conseguiu se conter desviando o olhar para o chão, envergonhado. Vestida com um quimono velho e surrado, a senhora lhe sorria com os dentes brancos e bem cuidados. Um belo contraste que ajudou ao menino não desmaiar de medo. - E então... Não vai subir? - Perguntou, ainda sorridente. Mas o Uchiha não respondeu, apenas acenou positivamente e quando fez menção de subir, acabou por perder as forças e quase desmaiar. - Opa, rapaz! Ainda está fraco. - Concluiu, aparando o menino nos braços para levá-lo até a mesa onde os pratos já estavam servidos com algo que se parecia com sopa.

- Quanto tempo estou aqui? - Perguntou, temeroso.

Seu estômago roncou novamente.

- Você está aqui há cinco horas. Agora, coma. - Respondeu.

Aquela breve conversa não acalmou Kaneda o suficiente, mas sua fome era bem maior que seu medo. Colheradas rápidas só eram interrompidas pela respiração ofegante do menino faminto. Enquanto isso, ele observava de soslaio a senhora que o acompanhava no jantar. Ela tinha uma expressão de satisfação e sua desenvoltura na mesa, apesar de sua condição. Era admirável vê-la pegar a colher sem tatear à mesa e buscar um pedaço de pão na cestinha com aqueles dedos magros sem ao menos bagunçar ou vacilar. Será que ela é mesmo cega? - Pensou, voltando a comer, mas com os olhos fixos na mulher. - Tenha calma. Se quisesse te comer, já o teria feito. - Ela brincou, numa gargalhada farta que ecoou pela floresta. Aquela velha o assustou novamente. Mas... ela tinha razão. Esse tratamento todo não é de alguém que está para matá-lo, ou era? Mas, e os curativos? Não estaria com os curativos se ela quisesse comê-lo. Aquela reflexão o tirou da mesa por alguns segundos, mas novamente o cheiro do ensopado o trouxe de volta quando seu estômago pedia para ser saciado. A senhora o observava com certa curiosidade. Pelo menos era isso que ele achava. Kaneda ficou curioso em saber como aquela senhora ficara cega. Quem era ela? Porque e como morava naquela floresta. As perguntas açoitavam sua consciência até que finalmente terminou o prato.

- Ótimo. Agora te levarei para casa. Seus pais devem estar preocupados. - Comentou, levantando-se.



CONTINUA...

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